Bruno Scuissiatto

Um pouco sobre Scuissiatto

Bruno Scuissiatto, 29 anos, curitibano, cidadão do mundo. A minha Curitiba é apenas um retorno aos recreios que me acompanham desde meus quatro anos, sempre na presença família. Depois de fracassar no sonho juvenil de ser músico em São Paulo, voltei a Curitiba, então para estudar Comunicação Social na PUC/PR. Quatro semestres e algumas sabatinas, descobri que o jornalismo não seria mais interessante que o estudo da linguagem e da literatura naquele momento. Aliás, ainda penso em retornar ao jornalismo, com diploma ou sem ele. Atualmente, finalizo o último da graduação em Letras na UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa, local de onde pretendo sair direto para algum mestrado no campo dos estudos literários. Hoje percebo que cursar uma universidade após acumular experiências variadas me trouxe tranqüilidade e sapiência, mesmo que muitas vezes os moldes da sociedade, olhem para você, como alguém tardio.

A juventude é uma banda numa propagande de refrigerante?

Olha, isso vai depender da forma como encaramos tal argumento. Vejo que a verdade disso é um jogo de espelhos, existindo atores para tudo, inclusive para modelos de propaganda de refrigerante. Assim somos nós, cada um não tem muito bem definido às fronteiras da verdade. Excluo desse segmento a violência, que se usada com mãos, se torna pretensiosa demais para pessoas com atributos imensos para agir de outras formas. Penso que a juventude pode ser tudo, apenas não deve ser apenas propaganda de refrigerante. A pós-modernidade criou este rótulo superficial nas pessoas, principalmente na minha geração. Certas vezes me vejo em algum filme retro concordando com o Drummond: como é chato ser moderno.

Paixões/Influências

No campo das artes as paixões e influências, se assim posso dizer, são muito variadas e anacrônicas. A arte tem essa inerência mesmo, como é possível depois de quase cinco séculos ainda nos render e surpreender aos textos do Shakespeare, as andanças quixotescas, ou ainda perceber como a sociedade descrita pelo Machado no século XIX, ainda é presente hoje. Os satyros, persas e tudo o que Aristóteles escreveu permanecem até hoje, isso é fantástico.
No cinema os Lumière começaram, depois tivemos tantos: Kubrick, Bergman, Fellini, Antonioni, Hitchcock. Por aqui todo o Cinema Novo e muitos diretores da safra atual. Enfim o cinema é cíclico, aliás, a arte é assim.
Já na literatura, são tantos, que escrever o nome de alguns é ser injusto com outros, peço desculpas em nome da literatura, mas Graciliano, Guimarães Rosa, Clarice, Machado, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca e o criador do conto-reportagem João Antônio são ótimos. Hoje temos toda uma cena contemporânea da literatura com valores ótimos, como Daniel Galera. Pelo mundo Borges, Cortázar, Piglia, Gabriel García Márquez, Bendetti, Proust, Dostoievski, Poe, e a linha nada tênue da literatura prossegue.
Influências são canções que nos trazem suor e trabalho. Mas depois da página escrita, o salgado é doce para os lábios. A literatura e a escrita são a poesia do dia-a-dia.

Sonho

A insatisfação com as coisas, as amarras do cotidiano nos provocam uma busca por sonhos. Longe de chavão, mas como o Cazuza cantou: quem tem um sonho não dança. Por mais que minha coordenação motora não permita ritmo que não seja acorde na guitarra. O sonho é sempre ter capacidade para sonhar e buscar a realização desses sonhos. Como metódico acredito em empenho e trabalho, com essas coisas, o sonho deixara de ser apenas sonhado.

Sobre sua literatura

Essa é a pergunta mais complicada, me sinto com dificuldade em algo no estilo do Abujamra no programa Provocações (um dos entrevistadores que mais gosto!). Quem teria que falar da minha literatura seriam os críticos, mas como eles estão mais preocupados com o Dan Brown e o Paulo Coelho, ou fazer cortesia ao pessoal da ABL sou colocado na jaula dos leões. Desde o dia em que inventei ler “O que é literatura” do Sartre minha ideia literária foi arruinada. Mas, sem querer ser pedante, a literatura que busco escrever é a honesta. O viés da ficção talhado de forma que o leitor se sinta provocado, desafiado, ou ainda, perturbado. O sentimento aparece até mesmo na descrição de um copo da água, no imaginário do leitor, aparece a sinestesia daquele contato com o copo.
O meu interesse enquanto produtor de literatura é contar algo que já foi contado por alguém, mas como a literatura permite outros ensaios, é neste caminho que prossigo. Em suma, a existencialidade é o mote central dos meus contos. Certa vez uma professora de teoria literária me perguntou se eu fumava, pois muitos dos personagens dos quais crio, tem essa relação com o tabaco. Aí, penso uma doutora perguntar isso, normal, como qualquer leitor, as pessoas tentam buscar na realidade uma explicação para a criação literária. Porém, personagem romanesco não tem cpf ou RG, então é ficção. Concordo com o Umberto Eco, é preciso que o leitor tenha um pacto de ficcionalidade com o que lê. Isso que peço aos meus leitores.

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