Assim falava a canção que na América ouvi
Texto de Ana Lúcia Temporini Gonçalves, 2° colegial.
Entre panelas, gordura e serviço pesado de faxina, entre cimento armado e concreto, batuca o samba enredo da escola. Percussão.
Entre compassos e réguas empunhados, traçando ângulos e conjugando verbos, dançam os estudantes no ritmo da juventude. Flautas pássaro.
Entre os dedos trocados das mãos entrelaçadas, confundindo os sentidos e unindo as forças, caminham os namorados no mesmo sentido. Violinos.
Outros se juntam com seus pianos, suas trompas, oboés, clarinetes, seus violoncelos, violões, surdos, baixos, mudos e altos. Com todo esse aparato sinfônico, cantam contra o colonialismo, cantam contra o Imperador, cantam contra Getúlio.
Agora formam uma banda e saem às ruas, para que a moça feia e o avarento ouçam coisas de amor e saibam que, apesar de tudo, “amanhã há de ser um outro dia”. Levantam-se os povos, gritam os mendigos, batem panelas em vários tons de amarelo – amarelos nada medrosos – enunciando que inexoravelmente vai passar, que querem a utopia e a felicidade dos olhos de um ancião, muita alegria, muita gente feliz e que a justiça reine no continente, no conteúdo. Consciente de que ficar de frente para o mar e de costas pro Brasil não vai fazer desse um lugar um bom país, levantam suas bandeiras e desmascaram seus verdes sentimentos, coração, juventude e fé.
Que mundo construirão?
