Oi, como vai você? (apresentando-me)

Publicado: 22 de julho de 2010 por Rico em Rico

"Como é um Rizoma"

Muito bem, agora, deixando a brincadeira de lado – não sei se vocês perceberam, mas, o título foi uma brincadeira sutil – , vamos falar um pouco do meu ingresso como colunista do Blog, afinal, eu, como colunista, irei lançar luz a novos temas, e seria bom que eu já determinasse alguns termos de antemão. Não que eu pretenda estabelecer aqui algum tipo de linearidade e coerência em meus postulados, pois se trata bem do inverso: irei abordar diversos temas, que embora possam ser conectados, não possuem nenhum elo essencial, nenhum tipo de construção sistemática tradicional.

Deixe-me começar pelo nome que escolhi para minha coluna. Como vocês devem saber, ela se chama Rizoma, é um nome que talvez vocês desconheçam (esse termo remete à biologia, entretanto, filosoficamente, damos a ele um significado totalmente novo, mas isso veremos adiante). Por quê Rizoma? Ora,  por que a rede mundial de computadores (Internet) nos oferece um belíssimo exemplo de um rizoma: não há nem um princípio nem um final que não aquele do meio, trata-se de um conjunto heterogêneo de linhas em diagonal. A Internet é todo um grande sistema rizomático, feito de fluxos e conexões caóticas, loucas… E é sempre bom relembrarmos a noção de caos que aqui é expressa: “Define-se o caos menos por sua desordem que pela velocidade infinita com a qual se dissipa toda forma que nele se esboça“.

Mas, afinal, o que é um rizoma? Agora, para esclarecer a questão,  citarei o criador desse conceito (o filósofo francês Gilles Deleuze), ou, para ser mais específico, o transformador dessa noção oriunda do campo da biologia em um conceito propriamente filosófico:

Diferentemente das árvores ou de suas raízes, o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer, e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza, ele põe em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não-signos. O rizoma não se deixa reduzir nem ao Uno nem ao múltiplo… Ele não é feito de unidades, mas de dimensões, ou antes, de direções movediças. Não tem começo nem fim, mas sempre um meio, pelo qual ele cresce e transborda. Ele constitui multiplicidades” (MP, 31).

Trata-se, mesmo, da elaboração de uma nova imagem do pensamento, que dispensa o velho e empoeirado sistema arborescente de pensar. Um método que, em bem da verdade, é um anti-método, pois nega, em absoluto, tudo o que advém das antigas categorias do pensamento: origem, final, linearidade, sistematicidade fechada etc. E por que não dizer que, de uma maneira mais rigorosa, tal método (anti-método) não expressa a radicalidade daquela célebre máxima nietzscheana “se Deus está morto, tudo é permitido“? É bem por aí mesmo. Não podemos descartar a forte influência nietzscheana no pensamento do filósofo francês.

Eu venho (embora não disponha de diplomas ou esteja na Universidade – ainda) de uma linhagem essencialmente filosófica, com base, mais especificamente, na filosofia contemporânea francesa. Sou um amante da filosofia da diferença, da multiplicidade e do devir, e sendo essa linhagem filosófica muito rica, penso que haverá muita coisa para ser dita aqui: filosofia, história da filosofia, psicanálise, psiquiatria, psicologia, direito, história, sociologia, antropologia, entre outras disciplinas.  E por falar nisso, até semana que vem trarei a vocês um texto onde abordarei, de forma preliminar porém elucidativa, alguns aspectos da loucura e das psicopatologias na sociedade contemporânea – para ser mais preciso, em suas reverberações na mídia massificada.

Bem, de início, é apenas isso. Fiquem no aguardo de mais uma postagem, e espero realmente que meus textos os agradem e despertem em vocês a curiosidade e o pensamento crítico que tanto falta em nossa sociedade degenerescente. É uma imensa honra – sem verborragia – participar como colunista deste Blog, até mesmo por que, eu já faço parte do projeto há um bom tempo, tanto que participarei do livro que o Blue, o fundador do Inversismo, almeja lançar, em conjunto com diversos escritores e jovens. Até a próxima postagem, pessoal.

comentários
  1. Rico disse:

    Sim, seria como dizer: o pensamento não é uma árvore. E, mais uma vez, sim, não se trata de uma metáfora, mas da definição de uma imagem do pensamento específica. O que seria uma “imagem do pensamento”? É, sem tirar nem por, um fundo a partir do qual pensamos. Deleuze diz que geralmente estamos com uma árvore plantada na cabeça – seria preciso arrancar essa árvore, queimá-la, dar privilégios às plantas rizomas, que não possuem um sistema central do qual derivaria tudo, e no caso do rizoma enquanto conceito filosófico: o pensamento.

    Espero ter conseguido elucidar a questão.

    Abraços.

    Au Revoir!

  2. Cure disse:

    Quanto ao texto:

    ‘Trata-se, mesmo, da elaboração de uma nova imagem do pensamento, que dispensa o velho e empoeirado sistema arborescente de pensar. Um método que, em bem da verdade, é um anti-método, pois nega, em absoluto, tudo o que advém das antigas categorias do pensamento: origem, final, linearidade, sistematicidade fechada etc.’
    Ah, de fato, faz sentido. Os conhecimentos em alguns aspectos se sobrepõem; tudo é ‘intertextual’ ao mesmo tempo:
    Estava vendo um artigo médico da UNIFESP sobre aplicações de riboflavina elevadas para atenuar os efeitos do Parkinson, o autor em 14 parágrafos fala sobre células, seções cerebrais, NAVALHA DE OCCAM, efeitos químicos do acúmulo de ferro Fe 3+/2+ no sangue e efeitos do estresse nos pacientes que poderia desencadear a doença de Parkinson.

    Curiosa a aparição da Navalha de Occam no meio de um texto médico; um conceito filosófico utilizado para simplificar as suposições sendo utilizado dentro da área médica é, quem sabe, um dos maiores exemplos de que o conhecimento não é linear |:

  3. Anônimo disse:

    Oi (:

    Sobre a máxima “se Deus está morto, tudo é permitido“, ela não é nietzscheana.
    É uma interpretação de Sartre sobre a obra “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoiévski.

  4. Rico disse:

    Sim, é verdade. Esse texto é deveras antigo – tão antigo que eu sequer lembrava-me dele, tive que inclusive buscar nele o momento onde eu referi-me a essa interpretação, a título de contexto -, situado na infância de meu pensamento, quando eu ainda era incipiente. Atualmente, cinco anos num curso de filosofia, erros assim não mais acontecem. :)

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