Elfen Lied: Uma Reflexão Sobre o Diferente

Publicado: 29 de agosto de 2010 por Rico em Rico

Elfen Lied

Acabo de assistir ao último episódio de uma verdadeira obra prima do mundo dos animes. Senti-me tão tocado por ele, que senti a necessidade de postar algo aqui, compartilhar com vocês o meu fascínio. Foi uma experimentação artística sublime, quase que indescritível. Logo na abertura, temos uma idéia do que nos espera. Uma música melancólica, em latim, toca, enquanto várias imagens de obras de arte passam ao fundo, se fundindo com alguns personagens. É muito original, e também muito bonito. Algo que nunca vi em animes, embora não tenha assistido muitos, para falar a verdade.

A história se passa em torno de Lucy, uma evolução dos humanos,  os Diclonius. Os Diclonius possuem alguns poderes que os tornam uma arma poderosa – e perigosa. Em decorrência de um crescimento anormal da glândula pineal, os Diclonius desenvolveram a telecinese – não apenas isso. Os chamados vetores são “braços” – estruturas desconhecidas que agem fisicamente como se fossem, de fato, braços – capazes de despedaçar pessoas. O seu alcance varia de um Diclonius para outro – Lucy, por exemplo, tem um alcance de 2 metros, enquanto Kurama, uma Diclonius extremamente poderosa, tem um alcance de 11 metros, além de possuir 33 vetores, contra 2 de Lucy. Eles também são capazes de parar balas e erguer objetos muito pesados, além de sentirem a presença de outros de sua espécie. Anatomicamente, eles também se distinguem dos humanos, possuem chifres em suas cabeças, olhos e cabelos avermelhados ou rosados.

Uma organização científica aprisiona tais criaturas com o intuito de realizar pesquisas, transformando os Diclonius em verdadeiros ratos de laboratório. O discurso de tal organização pauta-se numa suposta impossibilidade de coexistência entre os humanos e os Diclonius, gerando assim, uma ação de extermínio, onde humanos desejam exterminar os Diclonius e vice e versa – mas antes de exterminá-los, tal organização os estuda. Lucy, logo no primeiro episódio, consegue escapar – deixando um rastro de sangue e corpos despedaçados para trás -, mas, antes, é atingida por um rifle, em seu capacete, caindo no mar e desaparecendo. Ela logo é resgatada por Kouta e Yuka, sua prima, ao aparecer nua e sem memória, numa praia. É a partir daí que as coisas começam a acontecer.

Bem, para não revelar toda a história, e estragar todo o mistério que a envolve, irei direto ao ponto onde quero chegar. Os Diclonius são considerados, pela humanidade, uma aberração, monstruosidades. Lucy, a protagonista, desenvolve uma personalidade assassina por conta das humilhações que sofrera quando criança. Por sua fisionomia excêntrica, é alvo de chacota por seus colegas, até que, num dia, sua raiva chega a tal grau que Lucy, descontrolada, mata a todos e foge. Achei interessante notar que o anima articula um tema de grande valor: o preconceito para com tudo aquilo que nos é estranho, alheio ou diferente. Lucy, embora se tornado uma assassina fria e cruel, é, em bem da verdade, a vítima – digamos assim – de toda essa história. Todo o ódio que os Diclonius desenvolveram contra humanidade nada mais é do que o resultado do preconceito que a humanidade nutriu contra eles. Mas os humanos, com toda sua prepotência e cegueira, só são capazes de ver monstros assassinos, sedentos por sangue e inimigos da humanidade; não percebem o que os transformara em monstros: eles, os próprios humanos. Os humanos negam a responsabilidade, negam o fato de que os monstros são sua criação, meros produtos de sua mesquinhez, de sua pequenez, de sua incapacidade de lidar com o diferente.

O anime nos incita a refletir sobre o papel do diferente, a relação que temos com o diferente. O discurso da organização científica que aprisiona e estuda os Diclonius assemelha-se deveras com ao discurso do Nacional Socialismo, o princípio de morte e extermínio do diferente está lá, encarnado em toda a sua inteireza e perversidade intrínseca. O meu fascínio por essa bela história, deve-se também à maneira com que essa problemática é desenvolvida, não recorrendo à moralismos  ou à sensacionalismos risíveis. Dizer que se trata de uma obra prima do anime, não é um exagero, mas um dizer de total justeza. Eu gostaria, de verdade, que vocês assistissem, são apenas 13 episódios, mas 13 episódios que nos prendem e nos impressionam. O final, então, é magnífico, verdadeiramente emocionante e imprevisível. Eu diria: um final digno para um anime digno de todos os elogios.

Segue, abaixo, um trailer do anime:

comentários
  1. felipemp93 disse:

    Me chamou a atenção…assistirei esse anime ^^

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