Do Sentimento de Poder

Publicado: 14 de janeiro de 2011 por Rico em Rico
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“A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta.” [O Anticristo]

 

A valiosa fórmula nietzscheana para a felicidade, que embora descrita numa frase singela esconde uma complexa rede de sentidos, uma floresta de animais selavagens e exóticos, é, para nós homens que levam a termo aquilo que para Nietzsche é o que move o mundo (vontade de poder) ,imprescindível, vital. Ela deve, é verdade, preceder a reflexão que nos move em nossa razão e em nossa paixão. Enquanto axioma, ela é pressuposta, algo que se funda em nossa vontade. Nietzsche queria fugir do niilismo, do estado de degenerescência em que o homem que não podia mais criar se encontrava. Pôr a frente de si uma meta, que seria precisamente a meta das metas, e a meta que seria também superada, é uma ação contra o niilismo. O homem desprovido de sentido, que vê no mundo um vazio terrível, perde seu referencial no mundo, e por isso se resigna, desiste do mundo, fatiga-se e diz, por fim, “já não posso mais correr a lugar algum”.

Hoje, às 2h da tarde, recebi uma notícia que alegrou-me deveras: fui aprovado no vestibular que prestei para o curso de Filosofia da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Passar nesse vestibular foi para mim uma meta de caráter vital. Seria aquilo que me resgataria desse lugar imundo em que vivo, e também o que despertaria em mim a alegria de quando sentimos que nosso poder aumenta, que nossa vontade de poder está em alta (eis o que é de fato Bom). É um sentimento de poder que invade meu corpo e me enche de felicidade. Nietzsche diz que a felicidade é a “sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada“, e é precisamente essa ideia de felicidade que constitui o meu espírito guerreiro.

Apartir de agora sou, praticamente, um estudante de Filosofia, um acadêmico – tudo bem, esse título não é muito honrado, mas vamos esquecer as querelas filosóficas entre os academicistas -, estou a meio passo de tornar-me um intelectual de fato. Coisas estão para acontecer. Agora posso sentir que meu desejo de concluir meu Doutorado numa das Universidades mais antigas e nobres do mundo (a Sorbonne, ou Universidade de Paris) está mais próximo, ainda que os anos me separem de sua realização. Mas isso não me importa agora. Estou escrevendo este post apenas para compartilhar com vocês minha alegria e impressão de que algo de muto valioso fora feito, concluído. Poderia eu deixar que isso ficasse aqui dentro, calado, debatendo-se no anseio de sair selvagemente para fora de meu corpo? Alguns pensamentos precisam ser libertos em tempo.

É o que estou fazendo agora!

comentários
  1. Gabi disse:

    wow, que beleza!
    acho que posso imaginar a felicidade que anda sentindo, principalmente a sensação de superação de barreiras e tal. ainda estou esperando o resultado do meu vestibular e essa paixão, essa ambição que, me parece, você alimenta pela filosofia, eu tenho pelo meu curso também.
    parabéns e boa sorte na vida de filósofo!

  2. said disse:

    Me mostre um recém formado em filosofia , que te mostro um desempregado.

    Anyway, boa sorte.

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