Sweet alienated dream

Publicado: 8 de abril de 2011 por Gabi em Gabi

Cinco anos, seu primeiro dia na escola, o lugar que mais freqüentará até seus dezessete. Serão doze anos naquele lugar para no fim um só objetivo ser alcançado: passar no vestibular. É isso que lhe ensinam e é isso que seus pais esperam de você, seus professores, seus amigos e seu cachorro esperam isso também. Enfiaram na sua cabeça que você tem que ir bem nessa prova, deve se esforçar ao máximo, estudar horas, dias, semanas a fio, não dormir direito nem comer, não pode ir a festas, namorar, se divertir. Ah, e o mais importante: em momento algum deixe de ter em mente que sua vida toda depende desse teste, é o momento crucial, o mais importante que você há de viver. Mas tudo isso vale a pena, você será recompensado, afinal, se tornará um bom profissional, um cidadão modelo, alguém “importante”. O plano que a sociedade desenhou para você é esse: estude muito, passe no vestibular, entre na faculdade, seja um “profissional de sucesso”, ganhe muito dinheiro, gaste mais dinheiro ainda, tenha uma família perfeita, se vista sempre com as últimas tendências, tenha todos os lançamentos eletrônicos e uma casa enorme com um carrão na garagem. Alguém se importa com o que VOCÊ quer? O que deseja fazer da vida? Quais são os seus sonhos? Qual é o seu sabor de pizza favorito? Não. Provavelmente você nem vai parar para pensar muito nisso. Afinal, para quê faze-lo se a sociedade já desenhou o seu estereótipo utópico? Lá está ele, prontinho, cuidadosamente planejado, perfeito, lindo, cheiroso, falso. No fundo, todos correm cegamente atrás do mesmo ideal. Mas jamais o alcançarão, pois ele não existe. Sim, é uma farsa, uma invenção. Aliás, você é apenas um grão de areia, ninguém dá muita bola pra você nem está preocupado com o seu bem estar. O autor disso tudo? Ninguém sabe, ninguém conhece, ninguém viu. É a mão oculta que move o mundo no compasso do mais selvagem capitalismo. E você é apenas mais um dançarino.

Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora
Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram pra ter paciência
Falhei
Gritaram: – Cresça e apareça!
Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia o jornal da TV
E aprendi a roubar pra vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor pra mim.

Me ajuda se eu quiser, me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui
Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
Nos meios das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam o meu sangue e não me deixam viver
Têm o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vêm falar de liberdade pra depois me prender
Pedem identidade pra depois me bater
Tiram todas as minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram essa batalha
Quanto à guerra,
vamos ver.

comentários
  1. Bruna disse:

    Sim. Eles já nos dão nosso “destino”: crescer e ser o melhor, para ganhar bem – para gastar e TER tudo do melhor e do que NECESSITAMOS. Não importa se você É o que importa é o que você TEM.

    Pegamos esse roteiro decoramos a fala as posições e vivemos ele.

    – Essa é a nossa linda sociedade. Quem não tem algo em comum não é aceito nela e sofra as consequências de ser diferente! Essa é a nossa liberdade, a prisão de ser livre desse povo, de não aceitar isso que nos dão pronto e mastigado!

  2. T. Guerra disse:

    Quando eu estava no Ensino Médio, enquanto conversava com uma amiga sobre um assunto qualquer, imaginei a seguinte frase: “O ser humano está acorrentado à sociedade e só ele tem as chaves dos cadeados que o seguram”. Não sei se ainda considero essa frase verdadeira.

    É verdade que a sociedade possui o ímpeto natural de absorver o indivíduo, tornando-o um de seus elementos integrantes. Também é fato que o indivíduo não sobrevive ao largo da sociedade, mas a sociedade sobrevive na ausência do indivíduo. Há de se analisar as várias razões que levam a sociedade a pegar uma criança sem qualquer identidade ideológica e incutir nela conceitos e valores (doutrinação, que aliás é um tema sobre o qual pretendo escrever em breve e para não confundir acho que vou parar por aqui).

  3. said disse:

    já postei, e volto a refrisar.

    textos excepcionais.

    leio com regularidade as postagens. =] ( sempre existirão uma pequena parcela interessada no que parece desinteresse )

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