Não confie nos números

Publicado: 1 de junho de 2011 por Gabi em Gabi

Sim, eu ainda faço parte do Inversismo! Estou de volta, com um texto sobre algo que já vinha pensando há certo tempo (desde que tomei ciência da minha nota super baixa na prova de anatomia humana, para ser mais exata).

Bem, meus textos, em sua grande maioria, são curtos, rápidos e diretos, coisa de 30 minutos, que aliviam a cabeça indo direto para o papel (ou para o teclado, que seja), meio que no automático mesmo. Eu gosto da grafia correta, mas não levo grandes preocupações com relação a ela, pois eu tenho a liberdade de começar um parágrafo com “Mas” (afinal, já passei no vestibular).

E vida longa ao Inversismo!

 

Tenho a impressão de que os números se acham muito importantes, bem mais do que lhes cabe. Simplesmente pensam que podem definir tudo e todos. A surpresa vem quando nos damos conta que somos nós mesmos quem lhes dá essa bola toda.
Ordenando sem restrição tudo o que enxergam pela frente, os números dizem (ou pensam que dizem, ou pensamos que eles dizem) quem é bom, quem é ruim, quem é inteligente, quem é burro, quem é jovem, quem é velho, quem vence, quem perde, quem é gordo, quem é esbelto… Eles separam a todos, criam barreiras, prendem e privam os pensamentos através da imposição de uma verdade absoluta, indiscutível e exata que, supostamente está ali, concretamente representada naquele símbolo. E ainda existem as estimativas e probabilidades dos jornais: “redução do número de assaltos em 40% no RJ desde o último mês”, “o preço do barril de petróleo quadruplicará no próximo ano”, “o mundo vai acabar!!!”, “54% dos brasileiros são católicos”, “todas as crianças do planeta sofrem bullying”, “vai fazer um belo dia de sol hoje” – e então neva. E os números do governo (quem confia no governo?), censos, IBGE… Bandos de cordeirinhos a serem contados? Já vi muito disso lá em 1984 (e que bom que sempre há as ovelhas negras).
Eles querem te reduzir a apenas uma coisa: 1 (ou 9,5, se você for mais “inteligente” que o seu colega ao lado). Mas somos todos, todos, do mendigo ao garoto superstar, muito mais do que um símbolo. Os números não definem capacidades, somos nós mesmos muito mais capazes do que eles para fazer isso. Se você tira uma nota baixa numa prova ou é reprovado em alguma matéria, isso não é, de forma alguma, um indício direto de alguma debilidade intelectual sua. O peso que a balança mostra não define se você é bonito ou feio. O número de amigos que você tem não dizem se você é legal ou não. A quantidade de notas da sua carteira, de tênis importados guardados no armário, de vezes que você fez o vestibular até passar… Nada disso é muito mais do que… quase nada.
Agora considerando numa escala maior, ter menos soldados mortos na guerra não faz um país ser melhor do que o outro, tampouco quantas multinacionais estão instaladas nele. O número de espécies em extinção (todas as espécies entrarão em extinção, um dia!), a quantidade de CO2 na atmosfera que o Al Gore nos contou, ou o volume da calotas polares derretidas, não representam, necessariamente, que o mundo vai acabar mais cedo e que tudo isso não passa de processos naturais (o ser humano é parte da natureza, interage com ela e a modifica, conceitos de bem ou mal – impostos por números – são relativos, a Terra é instável, e tem que ser, mudanças e adaptações ocorrem incessantemente). Também, o nosso maior número de redes neuronais não nos faz mais espertos ou evoluídos que qualquer outro animal que nos rodeia.
Mas, contudo, porém, há de se levar em conta que os números são importantes em várias aplicações, cuja maioria (e as únicas que consigo lembrar agora) está relacionada à ciência. Podem ser extremamente úteis e essenciais em quesitos técnicos, mas generalizações são um fracasso. Não se deixe alienar pelos números, reflita antes de absorver tudo aquilo que eles querem cultivar na sua cabeça. Não se limite, nem cultive preconceitos, mas pense diferente, pense nas possibilidades. Enfim, não baseie sua vida em números. Eles não são tão importantes assim.

comentários
  1. Bruna disse:

    A pontuação numa prova, qualquer que seja essa prova, só quer mostrar o “quanto fomos” nela, o desempenho que tivemos alí, não quer e nem mostra o que nos somos, a capacidade. Ter consciência disso é o mais importante. 9,5 – 0,3 – 5 – não é sua capacidade, mas foi o que você demonstrou naquela situação. Todo mundo é superior a números, muito superior mesmo. Mas os números são nossos amigos, só temos que saber compreendê-los.

    >>Gabi, muito bom seu texto. Muito bom seus textos! Seus “desabafos” se é que eu posso chamar assim, são ótimos e gostosos de ler.
    Também não me preocupo tanto como escrevo, única preocupação que tenho é de conseguir passar direito o que quero dizer (ainda tenho dificuldade com isso, creio). Porém, ainda tenho um redação de vestibular para fazer :/ kkkk

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