Explicando-me…

Publicado: 15 de julho de 2011 por Rico em Rico
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Ando absolutamente ausente do Blog, mas isso por razões que, a meu ver, são justificáveis: o fato de eu estar sem internet; o fato de a vida acadêmica ter-me tomado o tempo; a correria do final do semestre, para entregar trabalhos, fazer avaliações etc.; as revoluções que estão explodindo em meu ser e tornando minha vida uma total metamorfose – a violência, diria eu, do vir-a-ser heraclitiano. Tenho alguns texto preparados e pretendo postá-los assim que retornar à Curitiba (estou em Guaratuba, na casa de meus pais, devido as férias).

Há, também, outros fatores que têm contribuido para a minha ausência, a saber: as transvalorações – bem à moda nietzscheana – que tenho feito no decorrer das minhas experimentações na capital paranaense; devo dizer que tais experimentações têm-me sido deveras profícuas, proporcionando-me a criação de novas perspectivas, tanto presentes quanto futuras – e mesmo passadas! -, embora, é verdade, eu flerte com a ideia segundo a qual o tempo não é linear, de modo que suas extensões se misturam e não contam mais (Aion estóico).

Certa vez li a seguinte frase: “mudar é correr o risco de morrer”. E é verdade! Mas como diria Nietzsche, criação e destruição são duas faces de uma mesma moeda: a lógica do eterno retorno e do sentimento trágico. Ao mesmo tempo em que o artista trágico regojiza-se com o transbordamento de sua potência, com sua vontade de potência, ele quer, ele precisa e ele deve querer – e com alegria quase louca, que é a de Dionísio – o aniquilamento, o esfacelamento, tal como Dionísio, que tendo sido despedaçado, sentido o terrível sofrimento, a dor da individuação, por outro lado, renasce, alegre, dizendo Sim à esse sofrimento, à essa dor incomensurável e magnífica.

Lembro-me, também de algo: quando  se muda, tornamo-nos outro, é o devir! Devir é tornar-se sempre outro; o devir deve ser, como explicam Deleuze e Guatarri, entendido como um pleonasmo, devir é sempre devir-outro, e mesmo esse outro, na medida que não escapa ao devir, “torna-se” ainda outra coisa; o Ser é uma ilusão, não há ser, se não o ser do devir, o ser que se diz do devir – é o próprio devir que é ser, mas aí já se vê a impossibilidade de qualquer ontologia; ou, se se quiser, que uma verdadeira ontologia só é possível enquanto um paradoxo, um terrível, assombroso e necessário paradoxo.

Sofri muitas mortes, e continuo a morrer, mesmo este texto já é um testemunho de morte; mas a morte vista com alegria, sem recusa, sem caras feias, sem resistência, a pura afirmação sem a qual a própria vida se veria prejudicada – porque é pela vida que se morre, que se sacrifica, meus amigos! São sábias as palavras de Zaratustra: “é preciso ter um caos dentro de si para fazer nascer uma estrela dançante”. E esse caos, que compreende a vida e a morte num mesmo “processo” – processo ainda é uma palavra ruim -, é o caos que me move, que me leva à morte: a morte alegre, a morte da transvaloração!

Mas deixemos um pouco de lado minhas divagações de inspiração nietzscheana. Quero-vos tão-somente dizer que essas mortes que sofri e que ainda sofro só me tornam cada vez mais forte, só fazem crescer ainda mais o sentimento de poder, de potência, que alimento em mim, como uma chama que é preciso manter constantemente acesa e, sempre que possível, elevá-la, transformá-la em grandes incêndios. Tornei-me mais são, mais lúcido, mas só há um meio de alcançar esse estado de suprema delícia e sublimidade: tornando-se louco, pois  a loucura contém em si um grau tão elevado de razão que mataria a maioria dos homens, habituados com uma racionalidade pequena, porém pretenciosa, que não suportaria a menor dose de loucura, isto é, de razão – de uma verdadeira razão.

Aguardem, logo lhes brindarei com meus textos, com meus pequenos pedaços de alegria, de dionísio! Com a minha “sabedoria trágica”. Sou, pois, discípulo do filósofo dionísio, deus do eterno retorno!

Carpe diem! Mes amis!

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