Evolutivamente cegos

Publicado: 7 de agosto de 2011 por Gabi em Gabi

Será que nós, seres humanos, espécie que habita nesse humilde planeta azul chamado Terra, somos capazes de percebê-lo como ele realmente é? Será que vemos tudo o que nos rodeia? Eu acho que não. Somos evolutivamente programados a perceber as coisas como melhor nos convém, para conseguirmos sobreviver nesse planeta e nos darmos bem por aqui, sempre sujeitos às suas especificidades locais.

Para ter um embasamento, sabe-se que os átomos são compostos principalmente por ~nada~, ou seja, a eletrosfera, que ocupa a maior parte do átomo, é formada por muitos elétrons de massa quase nula que ficam se remexendo e pulando incessantemente, e apenas no centro, no núcleo, temos prótons e neutrons, mais pesadinhos. A partir do momento em que se toma consciência de que a rocha é formada por inúmeros átomos, que se compõem basicamente de ~vazio~, temos uma incógnita. A questão é que, felizmente, somos fisiologicamente preparados para sentir a rocha como um material duro, pois se não fosse assim, poderíamos ingenuamente bater nossas cabeças numa delas até morrer. Isso é questão de evolução. Da mesma maneira como somos capazes de separar o que é duro do que é mole, também diferenciamos o que é frio do que é quente, o que é doce do que é amargo, o que produz um tipo de som do que produz outro, ou seja, o que é perigoso do que é inofensivo.

Enxergamos as cores, as formas, as perspectivas e tudo mais ao nosso redor da maneira mais conveniente à nossa sobrevivência, mas isso não quer dizer que vemos tudo o que está ali. O espectro da luz visível ocupa apenas um pequeno nível entre todos os tipos de radiações existentes. Afinal, alguém já conseguiu ver uma onda de rádio, uma microonda, um raio infravermelho,um raio ultravioleta, um raio X ou então uma partícula gama? Se sim, tal indivíduo não se tratava de um mero ser humano.

É extremamente provável que existam formas de vida nos outros planetas, ou pelo menos alguma coisa interessante em cima deles, mas quem disse que somos capazes de perceber o que existe lá? Claramente, é estupidez pensarmos que estamos no único e abençoado planeta que abriga vida, entre um número que eu nem consigo imaginar de planetas existentes nos múltiplos sistemas e universos, ou até mesmo aqui no nosso pequeno Sistema Solar.

Nessa mesma linha de pensamento, eu encaro a morte. Aparentemente, o ser humano morre e seu corpo apodrece. Nada mais. Não percebemos nada mais acontecendo ali. Na tentativa de dar algum sentido a processo de vida e morte que parece tanto sem sentido, as pessoas invertaram a religião. No cadáver não se vê alma subindo aos céus nem descendo ao inferno, o único processo perceptível é o da decomposição. Em sua faminta busca por respostas sobre o pós-vida, o ser humano se mostra apenas capaz de imaginar mas, ignorando a “certeza da fé”, nunca vai realmente ter certeza. (Será que eu sou agnóstica? Whatever.)
Enfim, os nossos sentidos nos “enganam”. Mas até onde? Como saber o limite? Não se sabe. Talvez, algum dia a ciência ou o nosso organismo, evoluam com algum mecanismo que nos torne capaz de perceber o mundo de uma maneira mais profunda e exata. Estamos na espera. Até lá, a rocha vai continuar dura, o fogo vai continuar queimando, a almofada vai continuar fofinha, vamos continuar buscando água em Marte, os cadáveres vão continuar sendo comidos por vermes e, enfim, vamos continuar nos perguntando porquês.

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